Na prática, Zelaya é embaixador do Hugo Chávez e comandante, de dentro de um pedacinho do Brasil diplomático, de um exército mercenário pago com petrodólares venezuelanos. Lula entrou com o “aparelho” (no caso, a própria embaixada brasileira) e com a credibilidade internacional para pressionar pela volta do títere chavista ao poder. De fato, falando cruamente, sem essa tolice de defesa ou ataque à democracia (pois o que os principais envolvidos nessa farsa, estes venéreos senhores Chávez, Zelaya e Lula, teriam a nos ensinar sobre Estado Democrático de Direito?), trata-se do retorno de Chávez à presidência de fato de Honduras.
Lula e Chávez acharam que fosse fácil, que o atual governo de fato entregaria os pontos poucas horas depois que o canastrão dominasse a embaixada da vergonha e apresentasse ao mundo seu padrinho postiço de prestígio. Não previram que Honduras não se chama Honmoles à toa, dando um banho de persistência e dignidade no, por exemplo, Congresso Nacional brasileiro, com seu servilismo governista vagabundo.
Por que Lula, o Cara!, entrou nessa história de folhetim mal-escrito, de surrealismo fantástico centro-americano, ambientado em literal republiqueta de banana, onde até um golpe de Estado consegue ser mais democrático que eleições e plebiscitos viciados?
A resposta parece ser extremamente complexa, envolvendo desde a vocação microlomaníaca da atual ideologia dos capitães da diplomacia brasileira até a geopolítica da OEA e da ONU e a estratégia da nova ordem mundial com Obama, mas desconfio de que seja a mais simples possível: dinheiro.
Lembram-se da música “Dinheiro na mão é vendaval…”? A mais remota insinuação de ameaça de possível revelação pública, por Chávez, da irrigação de campanhas políticas de Lula e dos lulo-petistas mais graúdos com os voadores dólares cubanos, narcodólares das Farc e petrodólares venezuelanos, deve bastar para que o governo Lula faça tudo e qualquer coisa que o bufão bolivariano – esse sim, megalomaníaco de verdade – mandar. (Não precisa nem ameaçar o corte dessas fontes preciosas para a campanha da Doutora Dilma, por exemplo.) Desde entregar, de mão beijada, refinarias à Bolívia, até ceder o Palácio do Planalto a hordas sanguinárias, se assim for exigido.
Assim, embaixadinha no fim do mundo? Podem invadir, depredar, sacanear, usar e abusar a bel prazer, sem problema algum. Pelo tempo que quiserem. Podem até preparar uma guerrilha ali dentro. Ou um churrasco; ou uma pelada de futebol; ou uma orgia com as meninas da mansão onde um caseiro teve o sigilo bancário impunemente quebrado. Ou até mesmo um Mensalão para amaciar as consciências democráticas de políticos hondurenhos. No final da festa, podem mandar a conta do prejuízo que o Tesouro brasileiro paga sem pestanejar, sob aval do maior líder da humanidade (que parece um sapo barbudo, mas é só disfarce).
Lula, como sempre, faz o papel avesso à coerência do estadista: é o leão que mia para os ratos: “– Viva la democracia!” (A da Venezuela, a de Cuba, a do Irã, a do Sudão, a da Líbia, a das Farc, a do MST, a da CUT, a do PCC, a do PT, etc., etc., etc. …)