Assistindo-se ao monturo pestilento de fezes em que se revela cada vez mais o Congresso Nacional, assalta-nos (em matéria de parlamentares, quase literalmente) uma cruel e crua dúvida:

– Guardadas as devidas proporções, haveria um pequeno Lula escondido dentro da alma de todo político?

Pois é espantosa a facilidade com que nossas verdadeiras reservas morais, como o Fernando Gabeira, deixa a moral na reserva e escala como titulares o uso privado de recursos públicos e, quando a pimenta não navega nos olhos dos desafetos, o ataque – ainda que velado – à imprensa.

Gatunos contumazes e ladravazes assumidos, os quais buscam proteção e negociatas fáceis no nosso belo quadro sócio-político-jurídico, não surpreendem mais, nunca mais, por mais que se esforcem em esgarçar os já tão vilipendiados bons costumes democráticos, moral pessoal e ética pública. Nada escondem, nada temem, nada perdem; lixam-se para a imprensa, a opinião pública, a polícia, a sociedade civil e militar, os movimentos sociais e políticos, as regras de convivência e fica por isso mesmo: são amigos do rei, agem à sua imagem e semelhança e nada de mal os acometerá, é óbvio ululante (com trocadilho).

Mas, em alguns casos, assusta-se. Talvez, lamentavelmente, pela última vez. O governo Lula não só foi e é o que o seu próprio ministro de sei-lá-o-quê, Mangabeira Unger, declarou, “o mais corrupto da História” em vazão e extensão, como conseguiu consolidar a descrença absoluta na correção pública. “- Seje honestu e perca a eleição, paiaço. Seje espertu, vem pra nossa turma, voti ao meu favor e ganhi todas as eleição que quizé: perdê é que é fei, cumpanhero! Analfabetu é quem perdi, ah, ah, ah!”

A esperança venceu o medo, mas está sendo derrotada e morta pelos políticos. Até pelos bons!