Náufrago

Quando você entra na sala de aula
Com seu corpo inacessível e
Com seu rosto indecifrável
Um sentimento de desejo
Misturado a uma sensação de culpa
Seqüestra minha alma imprevisível
Que era serena
Mas agora está confusa

Quando você me olha
Sinto às vezes que não me vê
Outras vezes que me repreende em silêncio

Alguns olhares são frios
Tão frios como a noite mais fria
Guardando tristeza indefinida ou solidão imensurável

Outros olhares deixam escapar
Uma faísca de esperança
Que não sei se incendiará o mundo
Ou apenas o meu coração

Seus cabelos ao vento
Pertencem ao vento
Suas lágrimas ao luar
Pertencem ao luar

Poderiam o vento, o luar, e outras forças da natureza
Trazer-me alguém por quem estou simplesmente náufrago?

(Esse breve poema, que escrevi em 1993, mudou minha vida para sempre…)