Fevereiro de 2009


O governo Lula não acredita nos poderes judiciário, executivo e legislativo italianos, nem nos europeus, nem em vários partidos políticos, entidades da sociedade civil e nem em um monte de personalidades, quando todos garantem que o terrorista Cesare Batistti foi legalmente condenado e que não sofre ameaça de morte na Itália. Por isso, não autorizou a extradição do condenado.

Por outro lado, O governo Lula acredita piamente na brasileira Paula Oliveira, que disse ter sido atacada por neonazistas na Suíça.

Se a popularidade de Lula começar a cair, não duvido que ele apareça com as siglas “PSDB”, “DEM” e “PPS” no corpo, feitas com estiletes…

Lula tem popularidade de ditador, carisma de ditador, ética e moral de ditador, cultura de ditador, prosperidade e vaidade de ditador, presunção de ditador, machismo e truculência de ditador, retórica de ditador, leitura de ditador, visão de mundo e dos bens públicos de ditador, história de vida de ditador, formação acadêmica de ditador, propaganda de ditador, assistencialismo de ditador, políticas de ditador, aversão a críticas e a imprensa livre de ditador, acólitos de ditador, capachos de ditador, testas-de-ferro de ditador, vontades de ditador, maneirismos de ditador, cara, altura, porte, jeito e andado de ditador, auto-suficiência de ditador, arrogância de ditador, endeusamento de ditador, xingamentos e palavrões de ditador, oposição, aliados e corrupção de ditador. Lula vê-se como salvador da pátria, é populista e cerca-se de extensa corte de puxa-sacos típicos de ditador.

Com tantas qualidades ditatoriais, como poderia Lula ser democrático? Como poderia Lula, do alto de sua popularidade beirando a unanimidade, não lançar mão do terceiro mandato consecutivo, se isso vier a tornar-se politicamente viável, ou, se ficar difícil, ao menos continuar governando por meio de fantoche eleito por ele (com a força descomunal da máquina do governo, a todo vapor, massacrando quem se opuser…)?

Durma em berço esplêndido, oposiçãozinha de m…, para ver onde você vai parar…

O genial Bardo volta, redivivo, na política nacional: “– Ser ou não ser: eis a questão!”

Alterar a Constituição Federal para permitir-lhe diretamente o terceiro mandato consecutivo?… Ou obtê-lo, indiretamente, por meio de um testa-de-ferro (Dona Dilma ou outro pau-mandado qualquer)?… Eis o dilema!

Lula, José Sarney e Renan Calheiros estavam reunidos, montando um grande projeto para aprimorar a política no Brasil, quando um assessor novato da Presidência do Senado apareceu, espavorido:

Assessor: – Os senhores viram o que o senador Jarbas Vasconcelos declarou à revista Veja?

Lula: – Você não sabe, cumpanhero, que nóis num lê essas imprensa golpista… o que foi?

Assessor: – Um monte de acusações contra Sarney, Renan , o PMDB e o governo Lula.

Sarney: – Fala quais foram as acusações.

Assessor: – Ele disse, por baixo, que o Sarney é um retrocesso, que o Renan não tem moral nem para ser senador, quanto mais líder do partido, que eles e o PMDB, como um todo, apóiam o governo visando apenas a cargos para participar de clientelismo, de licitações direcionadas…

Renan: – Hum…

Assessor: – de desvio de verbas…

Sarney: – Hum…

Assessor: – de corrupção em geral…

Lula, impaciente, gesticulando muito: – Desembucha, cumpanhero, que nóis num temo tempo a perdê, e fala logo que diabo de acusação ele fez, porra!

Náufrago

Quando você entra na sala de aula
Com seu corpo inacessível e
Com seu rosto indecifrável
Um sentimento de desejo
Misturado a uma sensação de culpa
Seqüestra minha alma imprevisível
Que era serena
Mas agora está confusa

Quando você me olha
Sinto às vezes que não me vê
Outras vezes que me repreende em silêncio

Alguns olhares são frios
Tão frios como a noite mais fria
Guardando tristeza indefinida ou solidão imensurável

Outros olhares deixam escapar
Uma faísca de esperança
Que não sei se incendiará o mundo
Ou apenas o meu coração

Seus cabelos ao vento
Pertencem ao vento
Suas lágrimas ao luar
Pertencem ao luar

Poderiam o vento, o luar, e outras forças da natureza
Trazer-me alguém por quem estou simplesmente náufrago?

(Esse breve poema, que escrevi em 1993, mudou minha vida para sempre…)