Os maiores ganhadores: José Serra e Fernando Gabeira
Os maiores perdedores: Lula e Marta Suplicy
Seg 27 Out 2008
Os maiores ganhadores: José Serra e Fernando Gabeira
Os maiores perdedores: Lula e Marta Suplicy
Qua 22 Out 2008
Fernandinho Banduchi é o presidente da Aphupo - Associação para Promoção dos Direitos Humanos dos Pobres, uma Oscip – Organização da Sociedade Civil de Utilidade Pública (ou privada – nome moderno para as antigas ONGs – Organizações Não-Governamentais – em geral mantidas, porém, pelo governo). O Blog conseguiu uma entrevista exclusiva com ele, sobre o recente e trágico episódio ocorrido em Santo André – SP, quando um jovem, Lindemberg, seqüestrou, manteve como reféns por vários dias e, ao final, baleou duas adolescentes, Eloá, sua ex-namorada, e Nayara, a melhor amiga dela, assassinando a primeira e deixando gravemente ferida a segunda.
Blog – Na sua opinião, onde ocorreram os principais erros da polícia paulista no desenrolar desse caso?
Fernandinho Banduchi – O erro principal foi a polícia ter maltratado e algemado o Lindemberg, ao final do evento, mas podia ter sido bem pior: lembra-se do ônibus da linha 174, quando um rapaz foi covardemente assassinado depois de preso, dentro de uma viatura da Polícia Militar, sob custódia do Estado? Pois esse seqüestro em Santo André acabou sem que qualquer violência física mais grave tenha sido cometida contra o menino.
Blog – Mas e as meninas, Eloá e Nayara? Uma foi morta e outra gravemente ferida pelo seqüestrador. A impressão que se tem é que a polícia fez tudo para manter a integridade de Lindemberg, em detrimento, inclusive, da vida das adolescentes. Mais um pouco e, para libertar o seqüestrador, atirariam nas reféns…
Fernandinho Banduchi – Fora os excessos cometidos ao final, a polícia cumpriu seu papel. Sinto muito o que aconteceu com elas. Mas a culpa pela violência é de todos nós, individualistas e egoístas que somos. Lindemberg é um jovem pobre e subempregado da periferia de Santo André. Quem se preocupava com sua vida antes? Por mais que ele sofresse, ninguém ligava. O resultado é esse, é uma resposta dos desassistidos contra uma sociedade cruel e desigual. Quando ninguém se importa, é só uma questão de tempo…
Blog – Mas Eloá e Nayara também não eram pobres?…
Fernandinho Banduchi – O capitalismo tem esse efeito perverso, de jogar pobres contra pobres…
Blog – Por esse raciocínio, os pobres poderiam, em uma espécie de vingança social justificada, cometer violência contra os ricos?
Fernandinho Banduchi – Não, claro que não. Mas a violência acontece, quer possa acontecer, quer não, não é mesmo?
Blog – Sim. E quando acontece? Como deve agir a polícia, para respeitar os Direitos Humanos dos envolvidos?
Fernandinho Banduchi – Respeitando as leis, é óbvio. O jovem Lindemberg e, por exemplo, Renan Calheiros, têm os mesmos direitos frente ao poder coercitivo do Estado, representado, no caso, pela polícia.
Blog – Na ótica dos Direitos Humanos, teriam sido corretas as entrevistas ao vivo feitas com o seqüestrador? Esse tipo de exposição na mídia não criaria no criminoso, principalmente em um cidadão psicologicamente alterado, uma ilusão de glamour artificial e sucesso repentino que o estimulariam a continuar mantendo o ato delinqüente, por causa da suposta fama e popularidade alcançadas?
Fernandinho Banduchi – Não me leve a mal, mas esse tipo de pergunta revela o preconceito por parte das pessoas abastadas em relação aos pobres e socialmente marginalizados e esquecidos. Todo mundo pode aparecer, até no horário mais nobre das televisões, mas o pobre não pode nem falar num programa qualquer. Lindemberg, coitado, precisava se expressar, ter um canal para desabafo, pois estava muito deprimido e sentindo-se extremamente sozinho e abandonado. Apenas por isso ele pediu as entrevistas, que não representou nada demais.
Blog – Nayara saiu do cárcere e depois retornou para continuar como refém. Os especialistas acreditam que foi a primeira (e provavelmente a última) vez que isso ocorreu em toda a história humana. O senhor acredita que esse retorno ao cativeiro tenha sido um movimento correto?
Fernandinho Banduchi – Certamente que foi o correto, pois não havia alternativa. O menino ficou transtornado com a saída dela, pois ele a deixou sair só por causa de uma chantagem covarde de setores da polícia, que exigiram isso para restabelecer a energia elétrica, que tinha sido cortada por sacanagem, apenas por vingança desses setores, que só existem para proteger a elite branca. A menina, em verdade, não deveria nem ter saído. Às vezes penso se não foi essa saída que deixou o coitado do Lindemberg mais nervoso ainda, tendo que lidar com tanto estresse ao mesmo tempo e mais isso, entra-e-sai de refém, os caprichos de uma menininha mimada.
Blog – Os erros cometidos pela polícia, principalmente na invasão improvisada do cativeiro, não teria sido resultado de despreparo técnico e falta de equipamentos tecnológicos de acompanhamento do local da operação, agravados pelo medo da reação das entidades de Direitos Humanos e dos seus braços na mídia e da opinião pública decorrente?
Fernandinho Banduchi – Erros? Que erros? E se o Lindemberg fosse seu filho? Você ia querer que eles utilizassem munição letal ao invés de balas de borracha? Você ia querer que explodissem de verdade a porta do apartamento, com perigo de os estilhaços o ferirem? Você ia achar que uns tapinhas na ex-namorada e uns tirinhos para o alto que ele desse seriam justificativa para uma invasão violenta, que poderia colocar em risco a vida dele lá dentro? Você ia querer que um atirador de elite o atingisse nas várias vezes em que ele deu chance, em sua inocência juvenil, no seu desespero na luta pelo seu primeiro amor, sonhador e puro, mas, lamentavelmente, não correspondido?
Blog – E se Eloá fosse sua filha? O senhor permitiria que ela se relacionasse com o Lindemberg?
Fernandinho Banduchi – Óbvio. Por que não? Eu apenas a ensinaria a ser mais delicada e compreensiva para com ele. Poderiam até formar um belo casal, próspero, com filhos e vivendo felizes para sempre.
Blog – E se fossem suas filhas que estivessem como reféns? Se pudesse, como o senhor aconselharia a polícia a agir?
Fernandinho Banduchi – Não tenho filhos… Sou casado, mas ainda não tenho filhos. A partir da atual campanha para prefeito de São Paulo, é bom que essas coisas fiquem bem claras… Sou espada, meu amigo!
Blog – O senhor não acha que o negociador, em atitude absurdamente amadorística, deixou-se envolver emocionalmente com o seqüestrador, passando a tratá-lo como a um filho ou irmão mais novo?
Fernandinho Banduchi – Não, claro que não. O negociador apenas compreendeu o que se passava com o pobre Lindemberg, e, a partir de então, passou a tentar fazer tudo o que ele exigia, sem pedir nada em troca, até para que o desfecho da situação tivesse um final mais feliz.
Blog – Que mensagem o senhor deixaria para os pais de Eloá e Nayara?
Fernandinho Banduchi – E para os pais do Lindemberg?
Blog – Que mensagem o senhor deixaria para os pais de Lindemberg?
Fernandinho Banduchi – Que nós, da ONG Aphupo, já contratamos um advogado para defender os direitos do Lindemberg e não permitir que ele sofra qualquer constrangimento na Delegacia para onde foi levado. Estamos estudando entrar com uma ação no Supremo, para o Gilmar Mendes mandar soltar o menino, pois ele foi ilegalmente algemado e sua imagem ilicitamente veiculada nos meios de comunicação. É provável que o Estado de São Paulo ainda seja condenado a pagar-lhe uma indenização por danos morais.
Blog – O senhor acha que Lindemberg atirou nas meninas por quê?
Fernandinho Banduchi – Sem informações mais precisas, podemos apenas imaginar hipóteses: talvez ele tenha se assustado com a invasão… Pode até ter ocorrido de essas moças o terem irritado, sem querer querendo… Você sabe o quanto essas mocinhas são irritantes, às vezes… Eu mesmo, de vez em quando, fico doido para dar uns pescoções na minha mulher (o senhor Banduchi gargalha, sonoro – mas, ao notar o constrangimento do entrevistador, pára de chofre, com um sorrisinho amarelo, afirmando tratar-se de uma brincadeira, naturalmente).
Blog – O que os governos e a sociedade podem fazer, no seu ponto de vista, para evitar que tragédias como esta, de Santo André, voltem a ocorrer?
Fernandinho Banduchi – Promover melhor distribuição da renda, por meio de ações de inclusão social, melhor aplicação de recursos públicos, transferências de renda – como o Bolsa-Família –, políticas afirmativas – como as cotas para negros nas melhores universidades do País –, e de diminuição do desemprego, construção de escolas, etc. Violência combate-se com ações sociais, o resto é conversa fiada de fascistas! Dois mandatos são muito pouco para fazer tudo que é preciso, mas no terceiro mandato de Lula já veremos a criminalidade cair a níveis nunca vistos antes nesse País…
Blog – A impunidade, no entanto, também não seria uma causa importante do aumento da criminalidade?
Fernandinho Banduchi – Não me leve a mal, mas repudio, com veemência, com a máxima veemência!, esse tipo de argumento, que revela apenas um desejo secreto pela volta da ditadura militar. Punição, punição, punição!, é só isso que esses reacionários, esses direitistas e esses integrantes do Partido da Imprensa Golpista vêem como combate à criminalidade, desconsiderando suas causas de fundo…
Blog – Sim, ela causa defuntos…
Fernandinho Banduchi – Eu disse “causas DE FUNDO”, engraçadinho… Causas conjunturais, infra-estruturais, superestruturais, psicológicas, neurolinguísticas, religiosas, econômicas e, sobretudo, sociais. Tem uns caras nos Estados Unidos, uns matemáticos, ou estatísticos, sei lá, gentinha dessa laia, que dizem que a descriminalização do aborto causaria diminuição da criminalidade… Esses caras tinham que ter sido abortados, não é mesmo? (Banduchi solta uma risada gostosa)
Blog – Que mensagem você deixaria para os pais das adolescentes no Brasil, para prevenir semelhantes casos de violência contra elas?
Fernandinho Banduchi – Ensine-as a serem mais solidárias, fraternas, humanas e socialmente responsáveis. Em um mundo melhor, a violência automaticamente diminui.
Blog – Mas então, se o mundo é o mesmo, por que outros jovens pobres, até mais pobres que Lindemberg, não cometem todos violências parecidas?
Fernandinho Banduchi – As pessoas são diferentes. Os destinos são diferentes. Deus coloca caminhos divergentes em pessoas semelhantes. Mas todos têm o livre-arbítrio: alguns agem, outros lutam, muitos se acomodam, poucos reagem.
Blog – Lindemberg teria sido, de alguma forma, obrigado a atirar nas adolescentes? O crime, de maneira geral, não é um ato, uma escolha, individual? Talvez o mais individual dos atos individuais?
Fernandinho Banduchi – Ele atirou nas moças somente porque houve a invasão: ele não queria atirar, isso é claro. De certa forma, ele foi obrigado a atirar, sim. E olha, pode me levar a mal se quiser, mas engana-se redondamente quem pensa que o crime, de maneira geral, é um ato individual. O crime é, essencialmente, uma escolha e um ato políticos, coletivos, sociais. Sem sociedade – mais que isso: sem estado – existiria crime? O Brasil inteiro estava dentro daquele apartamento, o País todo foi Lindemberg, que apenas nos representou a todos, no seu sofrimento.
Blog – Então, seguindo o argumento, não deveria haver pena individual, e sim social, como conseqüência de um crime? Como seria isso?
Fernandinho Banduchi – Sim, corretíssimo (vejo que você já está aprendendo…). A culpa não é dos criminosos. É, sempre, da sociedade na qual estão inseridos, que os moldou assim e, praticamente, os obrigou a tornarem-se criminosos. A prisão é a pior violência, e não se combate violência com mais violência. Deveríamos soltar todos os presos no Brasil: apenas essa simples medida já diminuiria a violência brasileira em uns noventa por cento. A forma de se chegar a isso deve ser debatida com todos os setores sociais envolvidos, numa construção coletiva e participativa das soluções almejadas.
Blog –Obrigado pela entrevista.
Fernandinho Banduchi – Obrigado por quê? O Departamento de Contratos da Aphupo não lhe avisou que essa entrevista ia custar-lhe dez mil euros?
Blog – Não, não sabia que seria cobrado… E em euros, ainda? Por que não cobram em reais?
Fernandinho Banduchi – O que nós vamos fazer, em tempos de crise financeira global, com essa moedinha fajuta, mané?
Blog – Por que não em dólar, então?
Fernandinho Banduchi – Dólar é dinheiro dos porcos capitalistas estadunidenses! Deus nos livre!
Blog – Como eu não sabia do pagamento, suplico, encarecidamente, que o senhor dê-me um desconto de uns 50%, parcele em umas dez vezes, e deixe a primeira prestação para o início do mês que vem, quando sai meu salário… Entenda que o Blog é de acesso gratuito, não fatura com propaganda nem com nada. Não tenho como pagar nada agora e…
Fernandinho Banduchi – Posso deixar por oito mil euros, nem um centavo a menos, em cinco vezes. Espero que não esteja pensando em enganar-me, seu cabra! (Ao falar, levanta um pouco a camisa, para mostrar a pistola na cintura).
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Mais tarde, tomando cerveja com os amigos, Fernandinho Banduchi, impressionando todos os presentes, faz culta e bela exposição sobre as violações aos Direitos Humanos cometidas pelas elites contra os oprimidos.
Qua 15 Out 2008
A resposta que (felizmente!) não foi dada.
Sáb 11 Out 2008
Pode ser que, em lamentável recaída da cidade, o Partido dos Tramoiadores ainda venha a ser eleito para ocupar, saquear e aparelhar a prefeitura de São Paulo, mas, pelo menos até hoje, nos últimos tempos essa capital tem se mostrado politicamente, pela maioria dos seus eleitores, íntegra, ética e não-venal em troca de bolsas-esmolas, bolsas-parlamentares, bolsas-corrupção, ou algum outro programa de inclusão parecido.
Pelo andar da carruagem dos salteadores, São Paulo, orgulho do Brasil, tem corrido o risco de, na trilha dos políticos honestos, como Fernando Gabeira, ainda vir a ser acusada de “moralismo fundamentalista”, “reacionarismo moderno”, “ética obsoleta”, “honestidade boboca”, ou outra maluquice verborrágica qualquer de quem tem a Língua Portuguesa jogada no esgoto, as fezes no cérebro e o rabo preso com os donos do poder populista e vazio.
São Paulo, não obstante todos seus gravíssimos problemas de capitalismo periférico e subdesenvolvido, comparada à média do País, transmuta-se em nossa jóia rara da República, rica, próspera, acolhedora, democrática e (verdadeiramente) trabalhadora. Assim, tem se mostrado, pelo voto livre, consciente e informado, um bastião de coragem, verdadeiro baluarte contra as ervas daninhas que almejam destruir o jardim de trabalho e (verdadeira) esperança.
Trabalhadores (de verdade) de São Paulo, contra as flores do mal, que usam o medo para vencer a esperança, contra o Partido do Tesouro (roubado), UNI-VOS!!!