Agosto de 2008


Assassinatos de Celso Daniel e Toninho do PT, Mensalão, enriquecimento ilícito do Lulinha, dossiês fraudados contra adversários, o cara-de-pau pregando sua ética superior durante duas décadas, etc., etc., etc., … Quem é mesmo medalha de ouro da mentira na política brasileira?

Assim, não deixa de ser impressionante quando quase todos os analistas políticos do Brasil acreditam que Lula fala a verdade ao declarar-se contrário à tese do terceiro mandato (consecutivo).

Lula quer tanto ser (continuar) o próximo presidente do País quanto sempre quis desde que conseguiu fazer um quatro dentro de um sindicato, por mais que nós, cambada de bocós refinados, façamos análises científicas que demonstrem o desastre que seria tal aventura. Com grande apoio popular e maioria política eticamente putrefata, Lula sabe, mais que qualquer outro oportunista, que tudo é possível nesta terrinha de diabruras, até fazer chover pra cima ou cair dinheiro do céu.

A única força capaz de impedi-lo chama-se populiridade (popularidade poluída pelo populismo): se Lula tiver menos que 65% de aprovação no início de 2009, ele adia seu sonho do terceiro mandato para 2014; mais que isso, a campanha 3º mandato já!, “independente” e puxada pelos “movimentos sociais”, conhecerá nossas inglórias ruas.

Esperem, vivam, vejam, lamentem… E nunca digam que não avisei!

As pessoas acham que Lula tem popularidade, mas, de fato, o que ele tem, a rigor, é populiridade: a pretensa popularidade, falsa e ilusória, dos populistas. Todos eles, demagogos, caudilhos, coronelistas, caixeiros de votos fisiológicos, apresentam altíssimos graus de aceitação populir, a deletéria popularidade poluída pelo populismo, onde as pessoas não têm medo de ser felizes, mas o têm de encarar de frente os graves problemas do País.

O que mais faz mal à Democracia no Brasil: as algemas em Daniel Dantas, ou o caso Mensalão, parado no STF? As algemas em Salvatore Cacciola, ou a menina L., 15 anos, ser presa, agredida e estuprada durante vários dias em uma cela cheia de bandidos, sob os auspícios da Justiça brasileira?

O que mais faz mal ao Estado de Direito no Brasil: as algemas em Jader Barbalho, ou as várias extensões do território brasileiro dominadas por traficantes e/ou milicianos, Estados paralelos onde o poder público não entra sem autorização dos criminosos? As algemas em Naji Nahas, ou a compra de votos com recursos públicos e orçamento oficial? As algemas em Celso Pitta, ou o conjunto da obra do governo Lula?

O que mais faz mal ao Estado Democrático de Direito no Brasil: o STF saber o nome completo do escroque financista Daniel Valente Dantas, com sua lista infindável de “direitos da cidadania”; ou não saber nem o primeiro nome da menina L., oficialmente escravizada e violentada por mais de quinhentas horas dentro de um órgão público brasileiro, com o único direito de ficar calada para não incomodar os valentes defensores do Estado Democrático de Direito no Brasil, em seus estudos de sublime filosofia?

A Polícia Federal descobriu indícios de que a organização chefiada pelos traficantes Juan Carlos Ramirez Abadía, chefe do Cartel de Bogotá, e Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, planejou, de dentro do presídio federal de Campo Grande, seqüestrar pelo menos um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por inveja.

Belíssimas palavras jogadas ao vento por Luiz Inácio Lula da Silva, no longínquo 1º de janeiro de 2003, em seu discurso de posse no primeiro mandato. Antes do Mensalão e do resto…

A última Rodada de Doha quebrou fragorosamente o mito de que o populismo sul-americano está unido contra o império norte-americano. Brasil e Argentina marcharam desunidos para a derrota evidente, no típico “em casa que tem pouco pão, todo mundo briga e ninguém tem razão”.