Junho de 2008
Arquivo Mensal
Qui 26 Jun 2008
Tenho estado muito triste. Parece que este frio na natureza apenas acompanhou o inverno do meu coração. A solidão invade-me, os lugares fogem, a imagem da amada adquire uma transparência de chuva fina em final de tarde; e por isso vou embora.
Estarei apenas cumprindo o destino de todas as coisas. Lá, além das distâncias que o coração não mede, virá seu esquecido cheiro de cabelo, a eternidade num sorriso, sua mão aberta, sobre todos os sentimentos mortais e imortais que povoaram meu sonho no céu da cidade.
De tudo fica um pouco, como fica um pouco dos seus olhos em tudo que os contempla, e fica um pouco de mim no pouco que fui pra você. E no pouco desta vida o muito que eu quis, e por muito de saudade, um pouco de esperança por muito que eu esperei de nós… sob um céu estrelado.
Para onde as pessoas vão na hora de um adeus? Não existe lugar, ficamos flutuando, perdidos, vagos, vazios… Não há a dimensão onde ficar no adeus porque então já partimos e, no entanto, ainda estamos… estou lá e aqui, já fui e ainda vou, te amo e já te esqueci.
Mas se eu te amo e já te esqueci, você não devia ter-me esquecido enquanto eu a amava, buscava em todos os poros dos momentos sua presença, uma realidade com você menos morta. Porém, você me fulminou com um simples “— Não!”
Mas se o Amor é uma emoção pura e que está sobre todas as coisas, neste instante, ele não leva mágoa alguma, apenas um leve pressentimento de que podiam ter sido mais belos os dias que foram assim e poderiam ter sido diferentes.
(Escrito de despedida, dor-de-cotovelo e espécie de término com minha namorada da época no dia em que saí de Goiânia e fui morar em Porto Velho, capital de Rondônia, em agosto de 1986.)
Ter 24 Jun 2008
Ao discordar da tese do terceiro mandato, a primeira-dama teve a clavícula quebrada pelo presidente.
Dom 22 Jun 2008
Lula, comandante-em-chefe das Forças Armadas (amadas ou não) do Brasil, é mesmo um sujeitinho muito safado: tem declarado à imprensa que o crime cometido por integrantes do Exército, de vender três traficantes do Morro da Providência para traficantes rivais, do PT coligados aos do PSDB, do Morro da Mineira, é “abominável, não tem explicação, blá, blá, blá…”
É óbvio que é abominável, estarrecedor, vergonhoso, trágico e muito mais, porém ainda é menos que o crime de alugar o Exército Brasileiro para cafajestes e canalhas aliados políticos da sua laia. Colocar soldados às portas do crime organizado não como combatentes, mas como seguranças de uma obra criminosamente eleitoreira fornece explicação cabal para o contágio do vírus mais poderoso do País, o da corrupção.
O que ele queria depois de, praticamente, ter-se pedido permissão de joelhos, aos bandidos que comandam o Morro, para o Exército entrar no enclave e ajudar a tocar a obra, como meros serviçais da banda podre da politicalha que emporcalha a Cidade Maravilhosa? Como manter o moral da tropa em uma ação tão desbragadamente imoral?
Os jagunços do tráfico, travestidos de soldados, que cometeram essa atrocidade estão, a rigor, apenas agindo à imagem e semelhança do seu comandante-em-chefe, o comandante do Mensalão; dos Dossiês Aloprados; das Máfias Sanguessugas dos Recursos Públicos; dos Negócios do Compadre; do PAC do Patrimônio do Lulinha, dos Assassinatos de Celso Daniel, Toninho do PT e outros ainda não descobertos; etc.
A maioria do povo brasileiro, embriagada por aumento de consumo e retórica neo-ufanista, sonha que está no País do mito Lula, mas, quando acordar, verá que se encontra mesmo, ao invés de no paraíso, é no Brasil verdadeiro do Cazuza:
“BRASIL
Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer
Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito é uma navalha
Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim
Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada pra só dizer “sim, sim”
Brasil
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim
Grande pátria desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
(Não vou te trair)”
(Composição: Cazuza / Nilo Roméro / George Israel)
Sex 20 Jun 2008
Conhecemo-nos entre destroços
Ruínas sem vida de uma escola
Morta à força pelos donos do mundo
Foi numa manhã clara
Que corria entre as árvores no pátio
Entre bancos e pessoas, nas salas
Uma parte dela na Sala 109 da ETFGo
Vi seus dois olhos, e eram como
Duas Tochas (de um relâmpago ou de um fogo)
Uma manhã qualquer de 1983
Que se perdeu lenta nos corredores
Da vida e da escola
Entre flores e favelas
(Mas eu não quis chorar nesse tempo)
É absurdo estar-se vivo:
Razoável ser assim
Meio gênio, meio canalha…
Vadiar mil anos de solidão
Porém, sutilmente, sem se notar,
Na escuridão de noites sem lua
E sem estrelas
As duas Tochas (de relâmpago ou fogo)
Incendiaram meus conceitos
Minhas fórmulas, minhas teses e lábios
E o incêndio não podia me consumir:
Brincava com ele na tentativa
De o suprimir
Reprimia-o, controlava-o, equacionava-o
Mas toda a disciplina foi em vão:
Ele anda solto no pátio
Vagabundo como anjo boêmio
No sistema de amor e desânimo
Em manhãs de verão do séc. vinte
Quanta coisa ele quer sentir…
(Quanto lhe será negado?)
—xxx—xxx—xxx—
Amei você numa manhã perdida
Só tive seus olhos
Nem seus sonhos nem sua alma
Você não soube:
Só tive seus olhos
Na manhã cheia de guerras e fomes
De 1983
E era como se não tivesse sentido
Amar uma pessoa
Numa escola tão pequena
Era como se não tivesse sentido
Brincar (fingir brincar) com uma Edienir
Numa cidade tão pequena e distante
Em planeta minúsculo, esquecido do Universo
Nas manhãs ensolaradas e perdidas do verão de 83
—xxx—xxx—xxx—
(Edienir, minha musa de 1983, colega linda e meiga no curso de Técnico em Telecomunicações que fizemos na Escola Técnica Federal de Goiás, foi, cerca de dez anos após esse poema, brutalmente estuprada e morta no interior do Estado, por um fazendeiro vizinho à propriedade de sua família. Lido em retrospectiva, alguns trechos do poema parecem pressentir a tragédia. Que, a propósito, no nosso triste País, de tão banal, parece coisa normal… Mas não é.)
Qui 19 Jun 2008
Speglich Says:
Maio 23rd, 2008 at 09:32
Não entendo qual é seu problema com Minc.
O que deixa claro ao ler seu blog é que, independente do que é feito ou não, no governo Lula, você é contra. Contra pelo CONTRA.
Estranho!
Qui 19 Jun 2008
Lula, para aparecer, adora declarar-se indignado com as atrocidades que teimam em acontecer no Brasil, mesmo depois que ele subiu ao poder. Balela: Lula, com sua apologia ao crime e facilitação da vida dos bandidos lulo-petistas, é indigno até mesmo de indignar-se!
Ter 10 Jun 2008
Lula ganhou duas eleições presidenciais, e deve ganhar a terceira, com a fama de ser contrário à privatização de bens públicos. Ainda que fossem empresas porcas a serviço de finalidades imundas. Ainda que fosse a pouca-vergonha de um AeroLula de luxo caríssimo, indecente e injustificável. Ainda que fossem ralos sem fim do suado dinheiro dos impostos nossos de cada dia, a oferecer serviços e produtos caros, obsoletos e ineficientes e enriquecer apaniguados insaciáveis, protegidos da concorrência e da polícia.
Lula, “o defensor do patrimônio do povo brasileiro”, contra a “privataria” do FHC, com essa história medonha da VarigLog, Varig, Gol, fundo americano, chinês-americano que fala português petista, fada-padrinho cumpade advogado do diabo e um bando de testas-de-ferro que poria o próprio Homem de Ferro pra correr, conseguiu o que se imaginava impossível: privatizou até o âmago do núcleo duro do governo!
Dona Dilma, a Dama de Ferro tropical, a mãe do PAC, a jovem guerrilheira tão, mas tão, mas tão corajosa que foi a única a mentir para os torturadores da ditadura militar e sair viva para tripudiar em cima de senadores imprudentes… pois essa mulher espetacular, que põe até Joana D’Arc no chinelo, pois essa senhora venerável foi privatizada em operação suspeitíssima: foi vendida por Lula a uma turma não recomendável como garota de recados em negociatas tenebrosas!, como diria o Chico se não houvesse um companheiro no poder.
Não se sabe de onde vieram os vultosos recursos envolvidos na privatização da Dona Dilma!
Fico imaginando a cena:
Lula: ô Dilma, você vai trabaiá pruns cara aí, ajeitando umas coisa nuns local do governo que tão meio enrolados prus lado dus cara, tá bão? Meu cumpade tá no meio pra ajudar…
Dilma: pode falá… missão dada é missão cumprida.
Lula: não, essa num pode sê cumprida não, tem que saí logo…
Dilma: falei cumprida, realizada, feita…
Lula: sei, sei… Dilma, fala pra Denise pará de sacanagem na Anac com meu negócio na Varig.
Dilma: vô dá um espôrro nela…
Lula: será que ela qué mais do que tá levano?
Dilma: deve tá quereno… vô dá um espôrro nela…
Lula: esse povo é tudo ingrato prá carai… puta que pariu!…
Dilma: esse povo é foda… vô dá um espôrro nela…
É de arrepiar pensar que esse tipo de conversa deve ter acontecido em referência a uma meia-dúzia de órgãos governamentais que tentaram impedir essa lambança do tamanho do ego do Lula junto à ilegalidade maior que o programa de aceleração do crescimento do patrimônio do Lulinha.
Ao final da tramóia, só a Gol tinha e só ela colocou dinheiro vivo no negócio, pois tudo não passou de um pagamento de propinas gigante para comprar a Varig livre das suas dívidas mais pesadas, justo as republicanamente negociáveis: oi, gente, aonde foi parar esse dinheiro?