Abril de 2008
Arquivo Mensal
Sáb 26 Abr 2008
O Sr. Nardoni e a Sra. Jatobá (tão cara-de-pau que o tem até no nome) cometem atrocidades inimagináveis e, para safar-se, conspurcam, com a ajuda de familiares, a cena e os objetos do crime e inventam estórias estrambóticas que nem doidos varridos bêbados acreditariam, como a tese de que o assassino de sua frágil e delicada filhinha seria uma espécie de monstro voador demoníaco, invisível e mágico.
Nada em que o petismo não seja mestre.
Eu acho que eles pensam: “– Se o Lula escapou do mensalão apenas com o gogó que nada sabia de nada, por que não escaparíamos dessa condenação com conversinha fiada bem articulada regada a oceanos de lágrimas artificiais?”
Lula, os lulo-petistas e os petistas de modo geral não apenas mudaram de patamar o nível dos crimes políticos no País: eles também criaram uma nova cultura popular brasileira, a dos bandidos sofredores “perseguidos pela mídia”, não exatamente inocentes, mas coitadinhos dignos de pena soterrados por toneladas de hipocrisia dos seus acusadores, já que, de uma forma ou de outra, seríamos todos culpados.
Lula e sua turma estão criando um novo paradigma psicológico no Brasil, a de que somos todos criminosos, logo, se formos pegos, e daí?, a vergonha foi expulsa do paraíso, junto com a culpa, a contrição e o arrependimento.
Estivesse em lugar menos eticamente depravado, o casal infanticida deveria pensar seriamente em fuga, auto-imolação, suicídio, ou outra loucura qualquer, mas no Reino de Lula sabe que ainda tem grandes chances de ser inocentado e ir comer pizza rindo da cara dos que ainda se espantam!!!
Qui 24 Abr 2008
Falo, e por muitos espectros ao meu redor
Já ninguém me ouve
Entre as serras de rochas e plantas
Pertencentes às Companies World Centers
Falo, e pela profusão de lágrimas
Que não deslizaram nas faces
E do sangue que não tingiu
A primavera nacional
– Embora a venda de rosas vermelhas tenha sido grande
Nas floriculturas da década, nos EUA
Naquelas manhãs claras de há dez anos
– Quando eu chorava de medo das chuvas de vento
Construídas de mato e suicídio
Sem memória, sem tarde, sem planeta, sem história
Nua, crua, suja e muda, perdida
Na selva que hoje achamos linda, sem susto
Da última risada da irene selvagem
Meu pai morreu em 72
E a gente sofreu demais
Mas quantos pais?
Irmãos, filhas, irmãs, filhos?
Mas quantas mães?
Morreram nesse tempo
Às margens de cartões postais
Que vão para as cidades estrangeiras?
Margens que não conhecem a inocência dos índios
Que dos índios restou o canto nos pássaros
Margens irmãs de assassinatos
De guerrilha, por cães, de fora
E de dentro d’água dos peixes
Por ácidos e enxofre
Funcionários das multinacionais
(Que pescam nas margens do Araguaia,
Atirando nos animais e ouvindo Marcelo Barra)
Nessa selva mapeada por satélites
Que contam os fios de cabelos das nossas cabeças
Arrancadas num dia azul-estrelado
Mas embaixo, nas serras, vermelho
(Como os lábios da manequim na revista Playboy)
O Araguaia ferveu e
Os latifundiários comeram peixe cozido
“– Nenhuma lágrima será perdida!”
– E quando se chora sangue
E os olhos são todos os poros do corpo?
E pensar que nesses anos
Tive medo de chuvas e trovões
Comprei picolés e suspiros
E olhei as estrelas, sonhando
Confins infinitos de arrependimento
Quantos séculos de heroísmo
Serão ainda necessários?
Procurar a resposta do mistério
Dentro de árvores, no capim, nos cipós
Nos córregos, nos brejos, trincheiras
No corpo que se esvai
Por um furo de metralhadora
Quantos séculos de violência
Para se construir (deixar-se reproduzir)
Miséria mais porca e suja
Que o “tempo da guerra”?
Choramos, pois, nessa hora do anoitecer
Do dia 7 de novembro, primavera de 83
Por 69 vidas. 100? 500? 2.000?
Mas quantos irmãos morrem por dia
De bala, malária e fome
No interior do Brasil?
(Onde a palavra “Diarréia” é mais que vocábulo frio)
E na América Latina? E no mundo?
Nas guerrilhas, nas prisões
Em pontes Rio-Niterói, em Itaipus,
Nas Angras, nas transfazendas (transafadezas)?
E nas estrelas da Via-Láctea?
Em toda multidão cósmica, delirante
Aqueles pontos luminosos que aponto e te digo:
“– Te dou o universo, menina!”
Quem vai explicar, para corpos destroçados,
A beleza das estrelas?
Quem vai segurar esta mão
Passar as mãos nos seus cabelos, brincando:
“– Tá com cheiro de peixe…”
Se a cabeça aí não está?
O corpo violado pelo exército, violentado
Já não terá seu primeiro amor
As andorinhas também desaparecem
Das serras e as cobras e lagartos
(Estes substituídos, ao custo dos contribuintes)
Não faz muito tempo ainda
Eu ia ao Visconde de Mauá
Aprender não sei o quê, sem saber
Nada que se passasse ali, tão perto
No mapa-múndi ao lado de flores
Na mesa da professora
A quatro dedos do pontinho “Goiânia”
– 25.000 soldados morrendo de medo
de 69 crianças traquinas
perdidas na floresta encantada
Quantas mortes sem enterros, sem missas
Sem velórios e músicas
(Não, antes a música dos pássaros e rãs
e o velório das estrelas e águas)
Na mortalha verde (inacabada)
Desabada inocente
E a gente querendo falar de águas
Que não são as mesmas águas
Que um guerrilheiro
Lavou seu rosto que transpirava
(E hoje não transpira mais)
Que as águas escoam sem lembranças
Almejando, felizes e calmas, simplesmente o oceano
A gente querendo falar
De gente que sequer cruzamos
Com o fogo-sorriso dos seus lábios e olhos
Numa rua qualquer
E só isso que, de pequeno que fosse
Ia ser o máximo de encontro
Entre dois amigos inseparáveis
Ou dois amantes
Se uma minúscula insignificância
Tivesse acontecido um milímetro a mais ou menos
Noutro sentido…
– Um olhar de rua numa cidade
de dois milhões de olhos aflitos
A História, porém, sabe demais da gente
E há de compreendê-los, perdoá-los (ressuscitá-los)
E é muito pouco na caminhada para juntar-se
A essa massa que faz Andrômeda, Sírio e Alfa-Centauri
As ruas cinzentas, as noites sem graça
É muito pouco a lágrima, o canto, a poesia
Perguntar olhando noites de constelações de tempo
Sobre amores vãos e dias vãos.
(Minha tentativa em 1983, muito antes da desilusão, de unir esquerdopatia e sensibilidade)
Qui 17 Abr 2008
Eu falava menas laranja
Agora falo en passant
Antes tinha uma carranca
Hoje eu sou o bam-bam-bam!
Eu sempre falava em ética
Sem saber o que seria
Hoje eu ponho a mão na merda
Sem qualquer hipocrisia
Antes eu era criticado
Por não ter formação
Hoje meu saco é puxado
Até pela oposição
Eu já fui sapo barbudo
Analfabeto e radical
Hoje se encontra mudo
Quem me desejava o mal
“– Nóis vai fazê greve!”
Eu já falei assim
Hoje pego bem de leve
E acumulo meu din-din
Minha língua era enrolada
Igual à minha ideologia
Hoje em negociata
Vendo até minha alegria
Já bebi como gambá
Mas chegou a evolução
Agora degusto foie gras
Enquanto os pobres comem pão
Eu dizia franceis e ingreis
Nos tempos do camburão
Hoje falo até com os reis
Na língua da salvação!
Qua 16 Abr 2008
Este Blog tem, nos dias bons, cerca de vinte acessos. Insignificante, por certo. E, nos seus dois anos de vida, nunca recebeu sequer um único comentário. Alguém me perguntou por que insisto em escrever tão irado para quase ninguém num veículo tão irrelevante e desprezado. Por zomba ou despiste, loucura ou ansiedade, desespero ou escárnio, a resposta seria uma só: por isso mesmo!
Escrevo desabafos e desaforos sem dó nem piedade, principalmente contra o sapo barbudo analfabeto enganador das massas iletradas. Observem que chamar o sapo barbudo de analfabeto é extremamente preconceituoso, cruel, perverso, agressivo e anárquico, mas, longe de defender a anomia, de que maneira de certa forma vingar-se do senhor das mentiras e mestre do cinismo conluiado ao fingimento no mais alto grau possível e imaginável que invadiu a alma do Brasil?
Sou um perdedor, certamente, e encarno um personagem chamado, pateticamente, Anti-Lula, em um mundo todo pró-Lula. Pois não me interessa que sua macroeconomia continuísta e medíocre em um mundo de sorte tenha gerado grandes lucros aos banqueiros convertidos à esquerda e pequenas esmolas aos miseráveis privatizados à direita. Não me interessam seu carisma, sua cara-de-pau, sua ética subumana, sua venalidade, seu instinto mercador, sua voracidade palanquista, sua enganação militante, seu embuste fascinante, sua popularidade nauseante. Quero apenas tirar-lhe a máscara e gritar em público “– O porco está nu!”, ainda que para platéia de duas ou três pessoas, em Blog de visitação esquálida e declinante e participação inexistente.
Não sou apenas um perdedor, mas o perdedor absoluto, pois eu odeio não apenas sem ser correspondido, mas, pior que tudo, sem nem mesmo ser notado!
Agora, imagine-se que o Blog, com esse mesmo conteúdo, fizesse estrondoso sucesso e tivesse não vinte, mas vinte milhões de acessos diários, com centenas ou milhares de comentários a cada post. Lula e a parte mafiosa do PT deixar-me-iam vivo pra saborear o gostinho doce da vitória e da fama?
Na melhor das hipóteses, eu não faria outra coisa senão depor em tribunais em enxurrada de ações que as matilhas PT-Bulls lançariam contra mim País afora, passando fome ao final, pois arrancariam em ações cíveis por danos morais tudo do pouquinho que tenho; depois ainda me trancafiariam em masmorras imundas por “crimes” contra sua (des)honra. Meus filhos e meus parentes viveriam em estado de sítio, com medo dos sicários de movimentos ditos sociais domesticados e embrutecidos pelo orçamento federal; sem contar os pistoleiros contratados para eliminar os adversários mais recalcitrantes ou pessoas inconvenientes, como os que, p. ex., calaram Celso Daniel.
Seria meu destino, então, ser torturado pelos lulo-petistas até liquefazerem-se as fezes em meu intestino, levando tiros de esculacho e tendo cigarros apagados em meu corpo? Lula e seu bando são bons em “técnicas de convencimento”, não tenhamos dúvidas e não queiramos ouvir seus “brilhantes argumentos” em noites tenebrosas de tempos antediluvianos.
Pensando bem nesses cenários, resigno-me à minha insignificância: como é maravilhoso ser um nada na vida, um espectro tênue na blogosfera, um zero à esquerda à direita da opinião nacional, uma partícula insignificante de poeira tentando demonstrar ao exército de sessenta milhões de eleitores de Lula quem o seu candidato, na verdade, é!
Qui 3 Abr 2008
Perdoe-me a crueza das palavras, mas nossa oposiçãozinha ao governo Lula ou é muito trouxa ou é vendida por demais: esqueçam a Sra. Dilma, estrupícios ignaros, ela não passa de uma manobra diversionista de um Lula tão matreiro e ardiloso como sempre. Seria mais fácil que ela fosse candidata a Miss Brasil que a candidata de Lula em 2010. Por que o óbvio é às vezes tão difícil de se ver?
Dilma, coitada, não passa de uma espécie de mala sem alça que Lula carrega para as inaugurações-comícios das PAC-obras apenas para dar-lhe álibi de que não faz promoção política pessoal nesses eventos (de forma colateral, Lula revelou em um desses showmícios porque o PAC é esse monstrinho horrível sem pé nem cabeça e todo remendado: ele é o pai e Dilma, a mãe!: tinha jeito de a criança não nascer um monstrenguinho de feiúra???).
Dona Dilma não é, para seu chefe, mais que mais um laranja iguais a tantos que se esmerou em utilizar em sua carreira política: o alvo certo de todos que lutam contra os facínoras instalados no poder é Lula, ele é o inimigo que segura o bacamarte, ele, e só ele, é o chefe supremo da quadrilha, que comanda com mão de ferro todas as ações criminosas, poderoso chefão que dá porrada, bate e arrebenta, ele condena e absolve, revela a verdade, proclama a mentira, determina os rumos dos ventos, a duração do dia e da noite e o movimento das estrelas, além do sabor da água para os que têm sede, se potável ou salobra.
Dirceu, Delúbio, Valério, Severino, Palocci, Calheiros, Dilma, etc., não passam de obreiros remunerados a serviço da causa, gente acrítica, cítrica e completamente descartável, desprezada e desprezível, mais vil que o vil metal sofregamente almejado; queridos companheiros que, quando sem caldo, são jogados fora aos bagaços. Ainda que, eternamente apadrinhados, nunca morram pagãos…
Quem comandou o mensalão? Quem determinou a montagem do dossiê dos “aloprados” contra Serra? Quem dá a última palavra nas decisões de cúpula dos esquemas de corrupção parlamentar e de outras espécies? Quem solicitou o dossiê dos gastos de FHC e seus familiares?
A política brasileira é condescendente com todos os pecados, menos um: a estultice. A evolução da popularidade de Lula está a comprová-lo: Lula tem, seguramente, todos os pecados do mundo, menos esse. A oposição, em oposição, tem, além de outros vários, também esse.
Lula não apóia, nunca apoiou e dificilmente apoiará alguém à Presidência da República, a não ser ele próprio. Trata-se de caso raro de egocentrismo megalômano ilimitado junto à superior inteligência interpessoal de manipulação das massas. Lula só apoiaria alguém em 2010 se não houvesse alternativa e se ao fim e ao cabo isso lhe resultasse em benefício superior ao custo do apoio, como a volta triunfal em 2014 ou 2015.
Lula só pensa no seu terceiro mandato. Após as eleições municipais deste ano, se vitorioso, partirá como um raio para cima da nossa pobre oposiçãozinha, formada, em maioria, como sempre se tem visto, por verdadeiros idiotas e/ou colaboracionistas interesseiros interessados nas migalhas do poder. Considerando que não há dúvida razoável de que ele saia desse pleito eleitoral como o grande vencedor, os oposicionistazinhos de araque já podem ir encomendando os caixõezinhos para o funeral político de seus bravos capachos e geniais parvos.
Olha o exemplo de ingenuidade dos tolinhos: todo dia vejo oposicionista reclamando que Lula mandou montar o dossiê FHC para chantagear a oposição na CPMI dos cartões corporativos. Para que Lula faria essa bobagem? Como esperado desde o início, a partir de quando os cretininhos oposicionistas aceitaram CPMI, onde perdem de lavada com a entrada dos deputados, ao invés de CPI exclusiva do Senado, onde pelo menos empatam e embolam o jogo, Lula poderia ir beber pinga tranqüilo até 2010, vendo jogo de futebol em churrascos antiéticos pelo resto da vida, sem absolutamente qualquer preocupação com a cambada de bestas que tentam incomodá-lo com miados de meia dúzia de gatinhos recém-nascidos com fome e sem pai nem mãe no meio de dúzia e meia de cachorrões pit-bull.
Lula exigiu a montagem desse dossiê já visando à eleição de 2010, pois sabe que esse será um dos piores temas que os adversários tentarão explorar, pois deve ter culpa monumental nesse cartório. Assim, nunca esqueçam: 2010 é Lula de novo, com a força do povo; é Lula ‘otraveis’, com a força dos reis; é Lula sempre, maravilha, com a força da Bolsa-Família!
Se precisar e for compensador, o PTleco na democracia já está preparado, pois, enquanto a oposição sonha com 2010, o Partido das Tramóias não dorme em serviço.