Quem tem o desprazer de privar da intimidade de Lula diz que ele, à menor contrariedade, trata seus empregados com palavrões, xingamentos e gesticulação impublicáveis. Quanto mais popularidade lhe é atribuída por pesquisas de avaliação do governo, mais se sente onipotente, vencedor, e responsável por tudo de bom que acontece no País, vendo todos brasileiros, inclusive autoridades dos outros Poderes, como seres subalternos e, quando críticos, opositores e mal-agradecidos.

O mais recente destempero verbo-presidencial, no entanto, guarda algo mais que a postura tirano-irada descrita acima. Lula, sempre em cima de palanques, discursando para seus pobres eleitores, empunhando sua metralhadora cheia de mágoas (mas sem nada de Cazuza), tem caçado brigas ora com “azelite”, ora com a oposição, com a imprensa, com o Congresso, até com “us pulíticu”…, e, agora, com o Judiciário. Aonde Lula, que de bobo só tem o jeito, o andado e o palavreado, quer chegar?

Dr. Inácio é o único presidente da República que, no primeiro segundo após começar a falar, sabe-se com certeza se o discurso foi escrito por outros e decorado por ele, ou se fala por si, “de improviso”, como a imprensa diz, eufemística. Pois algo está muito errado quando, “de improviso”, Lula filosofa com frases tão profundas e elegantes como “si ele qué sê pulíticu, renuncia e si candidata e vai falá as bobage qui quizé, mais num fiqui si metenu o nariz nas pulítica duzotro!”, e tudo a respeito de magistrado que simplesmente declarou, quase tautológico, que a prática de uma ilegalidade é ilegal.

Lula, o político dos políticos, tem (ironia profunda!) visão totalmente depreciativa dos políticos: para falar as “bobage qui a genti quizé”, temos que virar um! Mas carece-lhe senso crítico mínimo ao enfiar os dedos nos olhos do ministro do STF Marco Aurélio Mello, presidente do TSE, por sua simples advertência de que incremento de políticas assistencialistas em ano de eleições é vedado pela legislação eleitoral, mormente com as características eleitoreiras ululantemente óbvias do programa em comento, Territórios da Vilania, meio matreiro de usar os municípios mais pobres do País para despejar dinheiro público em campanhas políticas dos candidatos a prefeito da base a ele aliada.

Com as bobagens que tem falado, e com o que tem feito com a máquina governamental, aonde o genial político Lula quer chegar?

Considerando o candidato da base aliada que pretende mais forte à sua sucessão em 2010, reles governanta de palácio, Dr. Lula quer o de sempre, o carma que o persegue desde que “entrou na política para dar um jeito nesse País!”: emplacar um 3º mandato presidencial e dali não sair mais, nunca mais, como o corvo agourento de Poe: never more… never more… never more…