O lingüista Marcos Bagno, autor do livro Preconceito Lingüístico, em recente entrevista, afirmou, em português impecável, que dizer algo como “Nós vai” é o mesmo que dizer “Nós vamos”, e que consideramos quem utiliza a primeira construção como menos culto ou com mais deficiências de aprendizado ou escolarização apenas pelo fato de sermos “preconceituosos”.

Belíssimo discurso a ensinar-nos ser mais tolerantes com as “diferenças” lingüísticas.

Não obstante tamanha “tolerância” com a diferença, Dr. Bagno não teve qualquer vergonha de referir-se com extrema depreciação ao prof. Pasquale Cipro Neto e à jornalista e escritora Dad Squarisi como “gente sem formação” a “vociferar” contra sua sacrossanta ciência lingüística (a sociolingüística, que ele parece entender como reles síntese entre lingüística e populismo). Sobre a jornalista, chegou a dizer que se tratava de “descabelada” e pessoa mais “burra” que já viu.

Chega a ser didático ver na mesma entrevista um sujeito, utilizando português magistral, acusar-nos de preconceituosos pelo simples fato de reconhecermos um analfabeto ao vê-lo falar, tecer louvores à cultura lingüística do Lula e dos semi-alfabetizados em geral, e demonstrar, ele sim, ser extremamente preconceituoso contra quem apenas pensa diferente, ao tentar depreciar até sua aparência e inteligência com palavras carregadas de rancor preconceituoso: “descabelada” e “burra”. Que é isso, companheiro?

É ou não é a cara do petismo letrado, arrogante, hipócrita e intelectualmente desonesto?