Outubro de 2007


Só os absolutamente cegos não percebem que o poder presidencial aprisionou Lula dentro de um labirinto inexpugnável.

Ele não quer, mas, principalmente, não pode sair: o aparelho lulo-petista encastelado no poder federal transformar-se-ia, sob qualquer outro presidente, em força extremamente perigosa e sem controle quando começasse a ser defenestrado por qualquer anti-sepsia minimamente moralizante que qualquer outro fatalmente faria.

Foto: Tasso Marcelo/Agência Estado/G1
Lula Cego pelo Terc. Mandato - Lula Cego pelo Terc. Mandato
Lula fingindo-se de cego, como sempre, em relação às manobras visando ao seu 3º Mandato

Lula tem relação conflituosa com a Língua Portuguesa e com os princípios mais basilares de Lógica, Moral Pública e Ética, mas com o lulo-petismo sua relação foi sempre a de um maestro arrogante e tirânico regendo uma orquestra de punguistas públicos virtuoses e vorazes. Essa gente não lhe desafina nunca: quando o baixíssimo clero petista se move, qual o gado visível dos Calheiros, não o faz sozinho, podem ter absoluta certeza. A mão invisível de Lula está a tanger-lhe rumo ao debate antecipado de 2010, criando bolhas de sabão de ensaio para prospecção do seu mercado eleitoral em regime de monopsônio.

Lula, ao reunir jornalistas que já trabalhavam para ele desde pouco depois de sua posse presidencial, embora formalmente fossem empregados de outros veículos, e tentar criar um império de comunicações começando com a TV-Lula, apenas dá partida ao seu ambicioso projeto de perpetuar-se no poder sem golpe explícito, sem violência física, de forma “democrática”, utilizando para isso sua virtualmente inabalável alta popularidade, catalisada pelos reflexos no Brasil do crescimento e boom especulativo mundiais, valorização das commodities e a Bolsa-Família e outras bolsas, que deverão ser devidamente propagandeadas pela Rede-Lula.

A propósito, a presidenta da Rede-Lula, Tereza Cruvinel, diz que a TV-Lula fará jornalismo apenas com fatos, sem adjetivos e sem opinião. Em referência a Lula, “analfabeto” seria, nessa espécie de orwelliano novijornalismo, um fato, um adjetivo ou uma opinião? E corrupto? Mensalão seria, assim, um fato ou uma opinião? E todos os escândalos lulo-petistas? E a estranhíssima relação Lula-Renan Calheiros? Ela própria e seu coleguinha governista Franklin Martins, como seriam descritos no seu “jornalismo”?

Assim, o festejado sucesso da inclusão social dos programas assistencialistas do governo seria fato ou ficção? Qual seria sua opinião? Ops!, opinião não vale: qual seria seu fato? Seria esse um fato bom ou ruim? Ops! de novo: fica decretado que fatos são fatos, sempre neutros, não mais podem ser bons ou ruins, pois estes são os abomináveis adjetivos (conceitos usados pela oposição e imprensa golpistas e pela elite branca para enfraquecer o “Governo do Povo”… Obs.: golpistas, branca, etc., se usados “em defesa do povo”, pode…)

Elementar, meu caro Watson! Qual seria o motivo da existência da Rede-Lula se não fosse o de publicitariamente preparar o terreno para o terceiro mandato? E por que novijornalismo pago com dinheiro público sem adjetivos nem opiniões? Para preservar poderosos inopinados, inadjetiváveis e inqualificáveis?

Com alta popularidade e oposição indigente, é virtualmente impossível que Lula não tente montagem político-institucional de algum conjunto de mutretas para emplacar-se no terceiro mandato presidencial.

Não se iludam com o papinho furado do pseudodemocrata. Quem viver verá: Lula Continua Lula…

“Rapaz, para tirar o coco, não basta balançar o pé, que ele não cai. Quem quiser, vai ter que subir no pé e retirar o coco com as próprias mãos!”

(Renan Calheiros, ao reafirmar que só deixará o cargo de presidente do Senado podre… Ou, talvez, confundindo as palavras “coco” e “cocô”…)

“Hasta la victoria, siempre!”

(Renan Calheiros, parafraseando os companheiros Lula e Che Guevara)