Abril de 2007


Lula, o diminutivo de PAC não é, como o senhor falou, “paczinho”. O correto é pacuzinho.

O comportamento geral das oposições, cuja consistência mais emblemática consubstanciou-se na mais recente aquisição (acho que literal) do governo Lula, o Sr. Mangabeira “O Mundo é de quem faz” Unger, sinaliza, com clareza lulo-petista, a resposta:

“– Escrevo catilinárias iradas sobre Lula simplesmente para conseguir um carguinho comissionado no seu governo; pode ser até no 3º ou 4º escalão de um ministeriozinho apagado e sem dinheiro… A partir do dia em que eu for nomeado, este Blog só fará elogios ao governo, e o sapo-barbudão tornar-se-á o maior operário-padrão desta nossa grande Nação em construção!!!”

E se eu for questionado por ter mudado tão radicalmente de posição? Fácil: como a estorinha da carochinha de jogar a culpa de opiniões equivocadas na grande imprensa tradicional encontra-se já muito manjada, digo, na maior cara-de-pau, que só escrevi o que escrevi por causa da leitura dos Blogs de política brasileira. Se chegarem a pedir que eu cite exemplos de Blogs que me levaram a percepção tão incorreta do maravilhoso governo Lula, cito este aqui mesmo, o meu, Utopia, Sueños & Freedom Dedans Terra Brasilis!!!

Durante inauguração da montadora de automóveis do Grupo coreano Caoa/Hyundai, em Anápolis, Lula deu uma amostra do seu respeito pelos anfitriões ao referir-se ao Grupo como sendo a Alcoa, multinacional americana do setor de alumínio, e, a seguir, ao citar o metalúrgico Johnny Rodrigues, demonstrou sua familiaridade com aritmética complexa: “– Você faz o seu primeiro discurso aos 21 anos. Eu fiz o meu aos 27. Você tem sete anos na minha frente!” 27 - 21 = 7? (Obs.: seria essa “sabedoria” o motivo de companheiros pagarem suas contas e amigos e compadres cuidarem de seus fundos?)

Fala sério: dá pra acreditar que Educação seja sua prioridade?

Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do instituto vox populi, acredita que os brasileiros que escovam os dentes e lêem jornal (“nossa elite”) somos idiotas.

Em artigo no Correio Braziliense do dia 22 de abril de 2007 (http://www2.correioweb.com.br/cbonline/politica/pri_pol_196.htm?), ele sentencia que “Nossa elite precisa parar de ver a popularidade de Lula como mistério ou como obviedade” para a seguir, desavergonhadamente, destilar um monte de obviedades ululantes plantadas pelo aparelho midiático lulo-petista, que, por coincidência, vem a ser a única coisa criada nesse governinho sem-vergonha que funciona, embora saiba-se lá a que preço.

O sujeito, depois de um monte de disparates (ex.: “Como é possível que alguém que sofreu as acusações que ele sofreu terminasse ganhando, tão bem, uma eleição a presidente?” Tão bem? Com dossiê fajuto e tudo? Mentindo descaradamente aos cântaros? Inaugurando fantasmas de obras por todo o País? Coitadinho, sofrendo tanta acusação…), teve coragem de escrever e assinar embaixo o seguinte absurdo, veja se dá para acreditar:

“As crises de Lula foram políticas; as de Fernando Henrique, de gestão e de governo.”(!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)

Ou seja, de mensalão a cuecão (cheio de dólares), passando por apagão, junto a dezenas de crises sérias de gestão, governo e ética, nos planos interno e externo, tudo não teria passado de intriga “política”?

Ele termina com essa: “O tamanho de seu (de Lula) lugar na história depende dele (sic) enxergar isso. É muito grande; pode ser maior.”

Lula, então, já teria virado, pelas manhas e artifícios de um mestre nas artes das “pesquisas de opinião”, um “muito grande” personagem da História!!!

Todas essas noções, além de claramente não estarem “cheias de erros, misturados com preconceitos”, estariam em verdade esverdeadas pela beleza, ética e eficiência do governo Lula?

Lembrando Fernando Pessoa, que descobriu que “Minha Língua é minha Pátria”, note-se que o sujeitinho é tão despreparado que confunde “tão pouco” com “tampouco” (também não), mas não se peja em pretender “ensinar” a “elite” a ver como natural e decorrente dos próprios méritos do Lula a sua alta popularidade, em verdade obviamente comprada, manipulada, equivocada e fruto sim da “adoração” irracional por sua figura e dos rios de dinheiro gastos em sua publicidade oficial.

Incautos ignorantes aproveitaram a tragédia ocorrida na manhã do dia 16 de abril de 2007 na Universidade de Tecnologia de Virgínia, em Blacksburg, com o massacre de 32 inocentes por um estudante enlouquecido, que se suicidou em seguida, para condenar o suposto culto à violência nos Estados Unidos e espalhar americanofobia mal disfarçada.

As causas das tragédias desse tipo que ocorrem com periodicidade assustadora nos EUA, por estranho que pareça geralmente em escolas e universidades, são complexas e intrigantes, cujos inúmeros componentes talvez passem pela cultura da competição material desenfreada, do individualismo exacerbado em busca insana de prestígio e poder e do acesso facilitado a armas. (No Brasil não existe nada disso, é óbvio!)

Porém, tenham dó de nossas pobres e parcas inteligências, “culto à violência” tem muito mais no Brasil que na América do Norte. Praticamente todos nossos maiores facínoras têm os apelidinhos mais carinhosos do mundo, quase todos os intelectuais nativos têm alguma tese bonita para explicar por que nossos “pobres e coitados bandidinhos” foram “obrigados” a entrar na criminalidade e o motivo de a culpa ser toda nossa.

Ver criancinhas sendo arrastadas por carros roubados por criminosos até a desintegração dos seus pequenos corpos não comove tanto a intelligentsia nacional quanto as “truculências” das nossas toscas polícias, principalmente quando resolvem tentar trabalhar e enfrentar os “bandidinhos sofredores”, que “estão apenas tentando ganhar a vida em um País que sempre foi cruel para com eles”, coitados.

A comparação da violência entre o Brasil e os Estados Unidos beira a covardia: mais sensato seria compararmo-nos com o Iraque ou outras zonas conflagradas por guerras civis, como o Haiti, a Faixa de Gaza e países da África subsaariana, o que certamente faria, por simples análise estatística, com que disséssemos e pensássemos menos asneiras ao palpitar sobre violência em outros lugares.

“Mas nus Estaduzunidos as pessoa compra arma até na fêra!” Sim, certo, em vários dos Estados é excessivamente fácil comprar armas nos EUA. “Nu Brasil é muito mais difícil! Purisso num acontece essas coisa aqui!”

Sim, certo; quando o PCC colocou São Paulo em chamas (inclusive literalmente assando pessoas vivas dentro de coletivos) pelo fato de a administração estadual dos presídios ter ensaiado uma tímida aplicação com mais rigor da legislação de execução penal dentro do sistema presidiário do nosso mais rico e desenvolvido Estado, tentando retirar privilégios ilegais e coibir criminalidade mesmo ali desenvolvidos, setores “intrometidos” e “truculentos” da polícia chegaram a apreender um lançador de míssil terra-ar (utilizado em guerras para a infantaria derrubar aviões e helicópteros das forças inimigas) em uma favela paulista, junto a metralhadoras antitanques, fuzis de última geração, lança-granadas e farta munição (”– Teria sido esse arsenal comprado em feiras, supermercados ou lojas de armas nos Estados Unidos?…” ;) Desculpe-me a piada!).

Acho que devemos exportar para os norte-americanos, “cultores da violência sem limites”, nossa cultura de carnaval, futebol, cachaça, samba, suor e cerveja.

Nossa Cultura de Paz e Amor, enfim.

“Se já houvesse aborto, talvez nem o presidente Lula tivesse nascido, já que ele vem de família muito pobre.”

(Paulo Mindêllo, vereador (PSB) em Fortaleza)

Imaginem que no Brasil houvesse apenas três eleitores. E que dois deles acreditassem em tudo que Lula diz.

Apagão, mensalão, corrupção, desorganização, improvisação, coação, petização, falta de ação, de pão e de educação?

Dois contra um: pode ser culpa das elites, dos governos anteriores, dos políticos, do FHC, da imprensa, dos Estados Unidos, do Capitalismo, do Sistema (sabe-se lá o que isso signifique), do brasileiro, do aquecimento global, do castigo dos céus; pode ser culpa de tudo e de todos, mas de Lula não. Dois contra um.

Por isso Lula está tão feliz no caos: dois contra um. Lula rindo 1 - Lula rindo 1

Governo Lula registra 3ª melhor avaliação desde 2003, diz CNT/Sensus.

  • A Revolta dos Controladores de Vôo em Março de 2007

    “…

    Na última sexta-feira, os sargentos controladores de vôo do Cindacta-1 (centro de controle de tráfego aéreo em Brasília) entraram em greve. A paralisação gerou atrasos e criou uma situação caótica nos aeroportos brasileiros.

    O comando da Aeronáutica decidiu prender os amotinados. No entanto, o presidente Lula impediu a prisão e abriu uma crise entre os militares. Para oficiais-generais ouvidos pelo Estado, a ordem presidencial “maculou” a hierarquia e a disciplina, pilares das Forças Armadas.

    Na visão dos militares, a ordem de suspender as prisões dos amotinados foi um duro golpe na Força Aérea, uma desautorização que provocou desgaste coletivo - já que todos os integrantes do Alto Comando haviam se dirigido ao Cindacta com Saito para apóia-lo na prisão, mas acabaram deixando a unidade militar porque um ministro civil (Paulo Bernardo, do Planejamento) estava assumindo as negociações.

    Apesar do alívio do governo com o acordo feito com os controladores de vôo em Brasília, militares advertem que este é só o começo de um longo caminho, que o Planalto não tem idéia do quão tortuoso poderá ser. A maior preocupação dos militares é com o efeito cascata da decisão de não punir os amotinados, não só na própria Aeronáutica, como nas demais Forças.

    A desautorização gerou protestos também no Clube de Aeronáutica, entidade composta majoritariamente por militares da Força Aérea Brasileira na reserva. O clube enviou, no último domingo, mensagem aos seus associados atacando duramente o governo.

    Assinada pelo seu presidente, o tenente-brigadeiro do Ar, Ivan Frota, o Clube ameaça entrar no Supremo Tribunal Federal (STF) com Ação Direta de Inconstitucionalidade contra as decisões do presidente Lula de não punir os controladores rebeldes e desmilitarizar o controle do tráfego aéreo, e denunciá-lo por crime de responsabilidade.”

    João Bosco Rabelo (Colaboraram Tânia Monteiro e Fábio Graner) em: http://www.estadao.com.br/ultimas/nacional/noticias/2007/abr/02/297.htm

    +++++ *** - - - - - *** +++ … +++ *** - - - - - *** +++ … +++ *** - - - - - *** +++++

  • A Revolta dos Marinheiros em Março de 1964

    “A Revolta dos Marinheiros – Nome com que ficou conhecido o episódio originado pela resistência dos marinheiros, reunidos na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro no dia 25 de março de 1964, à ordem de prisão emitida pelo ministro da Marinha, Sílvio Mota. Os marinheiros realizavam uma reunião comemorativa do segundo aniversário da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais, entidade considerada ilegal.

    Dois mil marinheiros e fuzileiros navais liderados por José Anselmo dos Santos, o “cabo” Anselmo, compareceram à sede do sindicato naquele dia, a despeito da proibição do ministro. O ato contou com a presença de representantes dos sindicalistas e líderes estudantis, e além do deputado Leonel Brizola e do marinheiro João Cândido, líder da Revolta dos Marinheiros de 1910.

    Na abertura da solenidade, o cabo Anselmo afirmou a disposição da associação de lutar a favor das “reformas de base, que libertarão da miséria os explorados do campo e da cidade, dos navios e dos quartéis”. Durante o encontro, os marinheiros reivindicaram o reconhecimento de sua associação, a melhoria da alimentação a bordo dos navios e dos quartéis e a reformulação do regulamento disciplinar da Marinha. Finalmente, exigiram que nenhuma medida punitiva fosse tomada contra os que ali estavam.

    Entretanto, o ministro Sílvio Mota emitiu ordem de prisão contra os principais organizadores do evento e enviou um destacamento de fuzileiros navais ao local da reunião. Apoiados pelo seu comandante, o contra-almirante Cândido Aragão, os fuzileiros, em lugar de prender os marinheiros, aderiram aos revoltosos, permanecendo na sede do Sindicato dos Metalúrgicos.

    A adesão dos fuzileiros evidenciou a polarização existente no interior das forças armadas em torno do apoio ao presidente Goulart. A posição de Aragão, aliada à ordem emitida em seguida por Goulart proibindo as tropas de invadir o Sindicato dos Metalúrgicos, provocou o pedido de demissão de Sílvio Mota, imediatamente substituído pelo almirante Paulo Mário Rodrigues.

    No dia 26 de março, o ministro do Trabalho Amauri Silva conseguiu um acordo com os marinheiros, que abandonaram o prédio do sindicato e foram em seguida presos e conduzidos a um quartel, em São Cristóvão. Horas depois, contudo, foram anistiados por Goulart. Essa anistia foi muito criticada pela alta oficialidade, agravando ainda mais a crise na área militar.”

    Sérgio Lamarão em: http://www.cpdoc.fgv.br/nav_jgoulart/htm/7A_conjuntura_radicalizacao/A_revolta_dos_marinheiros.asp