Fevereiro de 2007


Elementar, meu caro Watson! Quando a eventual captura dos ladrões poderia revelar que alguma coisa que foi roubada é, ela própria, fruto da criminalidade.

Há alguns dias, li na imprensa que o senhor, como parte do acordo do PDT para participar do governo Lula, teria aderido ao lulo-petismo, passando da mais saudável posição política que se conhece hoje, de oposição verdadeira e corajosa, a uma estranha posição de “governista crítico”. Confesso que não acreditei.

Não acredito em honestidade pela metade, em amoralismo pragmático, em resistência de meio período. Desonestidade em tempo integral e ausência bem-remunerada de escrúpulos são mais plausíveis no atual reino da fantasia petista, paraíso para colaboracionistas dos piores tipos. Por isso, não acreditei.

Todas as ações do governo são eivadas de algum tipo de raciocínio torto ou sofisma enganador. Todas. Por exemplo, Lula declarou ontem que, na negociação contratual de fornecimento de gás, o Brasil perdeu para a Bolívia por uma questão de “generosidade”. O que se viu é que a Bolívia é quem podia ter sido bem mais dura, mas, para nossa sorte, foi “generosa” com o Brasil, provável fruto da amizade madura, mas colorida e esquisita, que une Lula, Chávez, Fidel, Morales, Farcs e islamismo radical. Pensando bem, amizade madura não, verde.

Então, como ser generoso com um governinho desses, caro senador? Não se tem como haver esse tal de “governismo crítico”: ou se é governista, e aí não se tem como ser crítico, ou se é crítico, e aí não se tem como ser governista.

Faz alguns meses que o senhor declarou-se tão desiludido com a política que iria deixar de ser político. Vibrei. Com esse tipo de político a política nunca estará completamente perdida. Se o senhor confirmar ter virado esse negócio de “aliado crítico” ou algo que o valha, vou ser obrigado a concluir que o Lula não só tem carisma mágico sobre as massas mas também poderes sobrenaturais de invasão e domínio das almas, mesmo as das melhores pessoas.

Já vão secando as lágrimas, de tanto chorar, e o coração já vai endurecendo, de tanto se indignar.

Dia desses uma criança foi queimada viva, junto à sua mãe, quando esta reconheceu um dos bandidos que os seqüestraram para roubar um banco. Um bebê de colo também foi queimado vivo, nos braços de sua mãe, também carbonizada, dentro de um ônibus, por ordem de presidiários, para simplesmente dar “um recado” às autoridades que ensaiavam acabar um pouquinho com suas mordomias dentro das prisões. Histórias trágicas de brutalidade indescritível como essas se vão tornando comuns…

Mas o que aconteceu com João Hélio, a criança que foi arrastada do lado de fora de um carro roubado, preso pelo cinto de segurança, chocando-se violentamente com o asfalto, pedras, meios-fios, buracos, a lataria e as rodas do carro, perdendo imensa quantidade de sangue e pedaços do corpo, que espirravam para todos os lados, enquanto os monstros bestiais ziguezagueavam em alta velocidade com o carro e faziam piadas, o que aconteceu com João Hélio parece estar alguns graus de selvageria mais altos na escala da maldade desumana, cruel, atroz, inumana.

As bestas monstruosas deveriam querer dinheiro, pertences e o carro das vítimas. Não passavam fome, tinham casa, família e amigos. Era noite, não havia polícia nas ruas, tanto que voaram sete quilômetros arrastando a criança e não apareceu um único policial. Por que tanta pressa? Eles já tinham conseguido o que queriam, custava dar alguns segundos para a mão desvencilhar a criança do cinto e sair tranqüilos, com a certeza do dever cumprido no País da impunidade?

Não. Isso seria muito enfadonho. Xingar a mãe e sair arrastando a criança era muito mais divertido.

Apesar dos melindres dos defensores dos direitos humanos desumanos inumanos dos bandidos e dos advogados criminalistas que, quanto maior o crime, maior o cachê, não há perdão possível em casos como esse. Se torturássemos esses demônios bestiais cruéis monstruosos durante dias, em praça pública, isso daria a medida de nossa própria selvageria, mas pelo menos não ficariam impunes como certamente ficarão.

Pois não tenhamos ilusão. O próximo crime de “barbaridade indescritível” fará com que esqueçamos esse. Ademais, parece que os monstros brutais repugnantes aprenderam com a turma dos escândalos políticos: estão dando versões conflitantes e acusando-se e a outros, até que se conclua que são todos inocentes.

Por causa da impunidade, só duas coisas são certas neste País: em pouco tempo haverá outro crime monstruoso contra crianças e pagamento de mensalão.

Quem gostar de Matemática e interessar-se por Computação Teórica, visite, por favor, a página http://www.andrebarbosa.eti.br/P_different_NP_Proof_Eng.htm.

Que futuro tem uma democracia cujos três principais partidos são:

1. PMDB - Profissionais das Mutretas Dominocráticas Brasileiras (Tá tudo dominado!)

2. PT - Partido do Tostão* (De tostão em tostão, chega-se ao milhão!)

3. PSDB - Partido da Social-Democracia Baratinha (Se se vende por um tostão, imagine por um milhão!)

???

* Um leitor sugeriu que, ao invés do Tostão, o mais adequado seria “Partido do Gérson”. Acho que ele tem razão…