No exato instante em que Lula festejava seu crescimento nas pesquisas de intenção de voto, Jefferson Péres anunciava sua despedida da Política com “P” maiúsculo, em tom de ilusões perdidas em um mundo decadente. Péres é quase um antípoda de Lula, mas preferiu imolar-se em espécie de suicídio, consumindo-se de tristeza ao constatar que o que buscou a vida inteira na política virou miragem de oásis num deserto perdido, cercado de degenerescência por todos os lados.

Lula escancarou esse deserto ético para todos verem, com a finalidade de afugentar do cenário político quem possa lhe incomodar, o que parece ter dado certo em relação ao íntegro senador.

Enquanto Péres dava um banho de ética ao corajosamente explicar com todas as palavras a origem do banditismo político (em última instância, os eleitores bandidos, interesseiros, ignorantes e/ou irresponsáveis, indiferentes e displicentes), Lula e sua quadrilha encantavam-se com prognóstico de vitória imerecida baseada em velhos vícios nacionais, como compra implícita de votos por assistencialismo descarado e uniões partidárias estapafúrdias, eleitoreiras e fisiológicas.