Sex 2 Jun 2006
O Triângulo Mágico do Brasil: Lula, Daniel Dantas e Marcola
Publicado por Anti-Lula sob Crise PolíticaVivemos tempos sombrios. Dos três maiores e mais em evidência criminosos do País, um seria hoje reeleito à Presidência da República no 1º turno; outro é bem-sucedido empresário, miliardário e multipartidário (ninguém sabe se mais influente e temido pelo que, ou pelo que não, sabe); e o terceiro, ainda que dos três seja o único “preso”, tranqüilamente dirige com mão de ferro sua nação de malfeitores como um rei despótico em terra de ninguém, sem maiores dissabores, em segurança, protegido por exército de advogados-cúmplices e pela parte corrompida da Polícia, da Justiça, do Ministério Público e do Governo do nosso maior Estado.
Mas sejamos justos e reconheçamos o mérito desses três valorosos companheiros: se algo dá trabalho nesse mundo é manter estruturas criminosas, sejam de malfeitores, maus gestores ou maus pretores. Os três gênios do crime descobriram, em lampejo de brilhantismo, que o verdadeiro sucesso não se faz com esforço, estudo, trabalho, leitura, cultura, conhecimento, altruísmo, hombridade, ou todas estas baboseiras de virtudes de perdedores que inundam a vida dos derrotados, e sim com uma cesta básica de banditismo cuja única coisa indispensável, a ser esgrimida diuturnamente com maestria e sem quaisquer escrúpulos, contra todos, inimigos e amigos, aliados e adversários, é: a Chantagem.
A boa e velha chantagem, que decide guerras e amores, destinos de nações e de beijos, uma vida inteira ou um passeio na esquina, como Shakespeare ensinou-nos, ao inventar o humano na Literatura ocidental. E nada que é humano deve ser-nos indiferente.
Marcola chantageia os meios policiais com ameaças ostensivas de ondas de violência pública; Daniel Dantas chantageia os meios políticos com ameaças veladas de revelações da promiscuidade público-privada de vários mandarins da República; e Lula chantageia os meios institucionais com ameaças sutis de investidas contra o regime democrático e a estabilidade econômica.
Temos prontas explicações para o sucesso da trindade renegada: os celulares nas celas, as privatizações, a legislação eleitoral. O sistema penitenciário, a estruturação societária, o sistema presidencialista. A legislação penal, a regulamentação das telefônicas, a culpa sociológica das “elites”. A mídia, o capitalismo, a imprensa, a “direita”, as “elites brancas”. Eles e nós, nós, povo, e eles, celebridades do crime - simples produtos dos seus meios, vencedores contra suas origens e contra o mundo sempre hostil -, não temos, ninguém tem, absolutamente, nenhuma culpa. Fome zero, culpa zero. Apenas “o Sistema” é culpado. Que bom! Não tenhamos medo de ficar felizes.
Não pretendo entristecer ninguém, mas a única explicação plausível para a criminalidade em questão, todavia, é uma só: impunidade, um montão de impunidade e mais impunidade, amalgamada à imensa propensão pessoal do nosso trio de ouro para o crime. Estatisticamente, quase nenhum pobre transforma-se em criminoso, quase nenhum retirante nordestino transforma-se em líder sindical carreirista ou político desonesto. Em maior ou menor proporção, todos somos culpados, por nossa conivência com a impunidade por ação ou omissão, em maior ou menor grau.
As carreiras dos três ases são, certamente, pontuadas por rosários de cadáveres (em sentido ou figurado: político, econômico, ético-moral; ou físico mesmo), sem nunca sofrerem maiores sanções em suas trajetórias ascendentes de violência, banditismo, sociopatia, formação de quadrilhas e caixas 2 e 3, enganação e rasteira em aliados, dissimulação, manipulação de relações político-econômico-afetivas, mentira de ideais, falsidade ideológica, estelionato, extorsão, concussão, prevaricação, uso de amigos/familiares-laranja para lavagem de dinheiro, toda sorte de criminalidade pública e privada, até chegar onde estão.
Não obstante, ninguém faz nada no país “sem-compostura” “do-faz-de-conta” e, enquanto isso, parte expressiva dos escassos recursos do nosso pobre País e da nossa pobre juventude desaparece sem deixar vestígios nesse meliante Triângulo das Bermudas tupiniquim, certamente interligado a vários outros sugadores de orçamentos públicos, privados e domésticos. De que forma unem-se os três vértices desse triângulo mágico e de que maneira desconstruí-lo?
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