Lula tem o coração de um Elias Maluco e a cultura de um jegue, mas tem o cérebro de um Einstein e o carisma de um Mahatma Gandhi. Manipula todos à sua volta com extrema perfeição. Contando com a oposição que enfrenta, mais para decomposição que para temperança e coragem, corre sério risco de ganhar a reeleição e tornar-se o primeiro político no mundo eleito duas vezes para apoteose dos paradoxais: primeiro por extraordinárias virtudes virtuais e, depois, por inacreditáveis vícios não denunciados.
Na gênese do desastre, as Caravanas da Cidadania da esperança já traziam em seu bojo, ao que tudo indica, gostinho amargo do que viria marcar o futuro governo: mistura ardilosamente preparada de manipulação de utopias com dinheiro clandestino desviado do erário, embalada por retórica vagabunda para enganar o povo, mesmo a parcela pretensamente politizada de então.
A impressão que se tem é que, sem os bons préstimos do STF, com a profusão indiscriminada de concessões de remédios (ou venenos) jurídicos para proteger sagradas garantias constitucionais de assaltantes dos cofres públicos e seus asseclas de multivariados tipos e funções, ou sem a lei ou código de silêncio (comprado ou imposto) de uns quinhentos personagens, de grandiosas estrelas cadentes a contraparentes de sujeitos obscuros dos submundos do poder e do crime, o governo Lula viria ao chão em três minutos.
Triste o governo que depende de Habeas Corpus para não cair.
É impressionante, mas, mesmo quando chega, tudo pára, em Lula, sem o atingir. O Relatório Final da CPMI dos Correios e a Denúncia da Procuradoria-Geral da República, documentos maravilhosos por si mesmos, pelo símbolo que representam de avanço ético em nosso amado País paraíso da antiética, lamentavelmente nada avançam contra a maior cabeça da Hidra de Lerna. Silenciar completamente, no caso da Denúncia, e tangenciar com subterfúgios, caso do Relatório, em verdade até ajudam o monstro de sete cabeças, pois sabe-se que renascem mais e mais poderosas as cabeças cortadas, se não se mata a serpente, como finalmente fez Hércules, no mito inesquecível.
O cinismo de Lula lembra o do ator Guilherme de Pádua, que chorou copiosamente no enterro de sua vítima Daniella Perez, e, mais recentemente, o cinismo montado para Suzane Richthofen, em forçado “choro” nacional fantástico-televisivo. Seria choro parecido o de Lula no enterro de Celso Daniel e outros?
Não obstante tudo, o setor mais forte da oposição (PSDB-PFL) chegou a inventar, por pura covardia, um dos conceitos mais esdrúxulos do folclore político nacional: “O impeachment pelas urnas”! Dentro dessa tese, podemos concluir que FHC sofreu impeachment em 2002? E todos os candidatos que foram e serão fatalmente derrotados em todas as futuras eleições majoritárias? Serão todos “impedidos nas urnas, pelo povo”?
Quando Lula blefa e insinua que, caso se veja enredado em pedido sério de impeachment, pode chamar uma espécie de guerra civil, traindo seu afã autoritário e viés golpista e arrotando um poder sobre a sociedade que certamente não tem, nem entre os excluídos, nem entre os desinformados e ignorantes da situação, nem entre os que recebem as esmolas do governo (travestidas de programas sociais), nem entre o lúmpen-proletariado, nem entre os movimentos turbinados com dinheiro público ou cujos dirigentes mantêm-se a soldo do governo, a oposição, covarde, borra-se de medo.
Com a profunda degeneração ética em redor, a ausência absoluta de qualquer conflito moral no semblante, nas ações e nas falas de Lula lembra um serial killer americano entrevistado em antigo documentário sobre o tema. Nesse programa, um especialista, ao estudar o caso, comentou que não se deve enganar pela docilidade, quase ternura, com que os psicopatas geralmente se exprimem, nem pelas suas lágrimas teatrais, pois eles não têm qualquer noção do sofrimento alheio e são completamente indiferentes à dor de suas vítimas. Mesmo em prisão perpétua, o único sofrimento do psicopata era pensar que nunca mais fosse cometer sua especialidade de crime (seqüestrar e assassinar crianças com requintes de crueldade).
Considerando tal leniência, precisamos, urgentemente, que a sociedade civil organizada, junto a políticos, empresários, jornalistas, artistas, cidadãos anônimos, etc., constitua-se, ordeira e dentro da lei, em novo e moderno Hércules brasileiro, para deter a Hidra, propondo e, com sorte, levando democraticamente ao impeachment de Lula. Ademais, mesmo sem sucesso, tal movimento já teria demonstrado a Lula e sua gangue que somos cidadãos, não ratos.
Lula aceita, tranqüilamente, ganhar a eleição dentro do Estado Democrático de Direito e da estabilidade econômica e responsabilidade fiscal. Perder, por certo, não. Ele desceu muito fundo no poço para sair limpinho dali. Entregar-se-á, o Imperador, sem reação? Derrotado, qual o seu destino? Isso sim, mais que qualquer outro brasileiro, ele sabe! Por enquanto, acha que o segundo mandato já está no papo; todavia, se vier a ter certeza que o perderá, sem sombra de dúvida fará o que estiver ao seu alcance para melar o certame que se avizinha. Em casos de perdas significativas, a política da terra arrasada não deve nunca ser subestimada.
(Na verdade, como os submundos da política não têm cores partidárias, ideológicas, ou de visões de mundo, dependendo do seu poder em cada lado, a alternativa ao arrasamento seria o compartilhamento da terra entre “vencedores” e “vencidos”, mas disso falarei não neste, mas em outro dos meus arremedos de análise política.)
Ganha a reeleição, essa será, para Lula, “a eleição mais democrática que o País já teve!”. Perdida e sem compartilhamento do butim, para ele será, com toda certeza, “um golpe das elites contra o único governo popular da história do Brasil!”.
Reflitamos:
“Ninguém faz o mal voluntariamente, mas por ignorância, pois a sabedoria e a virtude são inseparáveis.” (Sócrates)
“Para que o mal triunfe, basta que os homens de bem se abstenham.” (Edmund Burke)
“Para o triunfo do mal, basta que os bons fiquem de braços cruzados.” (Charles Chaplin)
“Se ages contra a justiça e eu te deixo agir, então a injustiça é minha.” (Gandhi)