Quando todo mundo achava que a dep. Guadagnin tinha enlouquecido e perdido o juízo ao dançar regateira em pleno plenário da Câmara dos Deputados, supostamente de alegria pela salvação dos mensaleiros, descobriu-se o real motivo da sua felicidade: naquele momento, por coincidência, ela teria sido informada que fontes da PF haviam acabado de relatar ao governo a notícia-bomba, que implicará grande reviravolta em toda a investigação sobre a crise política deflagrada pelas denúncias do ex-dep. Rob. Jefferson. Foi encontrado o verdadeiro operador do mensalão.

Com o uso de sofisticado sistema de rastreamento e cruzamento de informações bancárias, desenvolvido pelo FBI com o uso de técnicas de inteligência artificial no estado da arte, um setor de elite da inteligência da PF descobriu o que ninguém suspeitaria: o cérebro por trás do megaesquema de corrupção e compra de votos é o caseiro Francenildo dos Santos Costa, foragido desde a manhã de hoje em lugar incerto e não sabido depois do vazamento da notícia de que o STF autorizara sua prisão.

As notícias ainda são desencontradas, mas o que já se sabe é que o falso caseiro (na verdade um brilhante administrador de empresas com doutorado em Harvard), mentor do esquema com ajuda de setores golpistas da oposição, teria cooptado publicitários e tesoureiros de partidos políticos, os quais coordenariam uma rede corrupta de servidores públicos federais dos terceiro e quarto escalões, e seria titular de centenas de contas correntes bancárias. Uma dessas, chamada de “conta cabeça”, receberia e transferiria às outras, automaticamente em intrincadas triangulações e poliangulações, recursos desviados do governo, sem o conhecimento do primeiro escalão.

A famosa “Casa dos Horrores” atribuída até então à denominada “República de Ribeirão Preto”, não passaria, segundo conclusão do Serviço Secreto da PF, do Quartel General do falso caseiro, que teria aliciado alguns antigos desafetos do min. da Fazenda para, na casa, simular atividades de lobby com seu beneplácito, na tentativa de desestabilizá-lo. Até um sósia do ministro foi contratado para visitar a casa e dar credibilidade à estória.

Ali, o falso caseiro já tinha começado a engendrar um sistema mais perfeito, considerado como um “ciclo completo de caixa 2”, genial artimanha contábil-orçamentária em que parte dos recursos do orçamento de estatais não mais passaria pelo SIAFI, nem pelos setores orçamentários dos órgãos envolvidos, nem pelas contabilidades dos bancos pagadores e fornecedores e prestadores de serviços ao governo, o que tornaria tais recursos públicos virtualmente invisíveis a qualquer fiscalização.

Fontes ligadas a setores de comunicação do Planalto adiantaram à imprensa algumas frases que serão ditas logo mais pelo presidente, em cadeia nacional de rádio e televisão, para anunciar os resultados do trabalho da PF: “- Nos quinhentos anos de República desse País, nunca teve um governo que sofreu uma campanha de falar mal tão grande como o meu, mas eu sempre digo aos companheiros pra não abaixar a cabeça, que mais fala mal os que mais não fizeram bem nos quinhentos anos que foram governo. O negócio do caseiro está aí pra provar que nós tínhamos razão quando eu dizia que ninguém tinha que ficar triste, era só levantar a cabeça e trabalhar, que quem trabalha colhe os frutos que os outros têm inveja porque não trabalharam e não têm o que colher, que nossa massa cinzenta é mais inteligente do que eles pensam…”