Dom 19 Mar 2006
Parabéns, dep. Osmar Serraglio, pela postura independente e correta na relatoria e trabalhos de investigação da CPMI dos Correios. Há menos de três anos, eu imaginava impossível que um dia fosse admirar um político do PMDB e sentir nojo dos queridos heróis políticos de então.
Não deve estar sendo fácil para o senhor e demais membros honestos suportar as pressões para abafar tudo, que certamente estão sofrendo. Sigam firmes, por favor, pois aqui embaixo também está difícil manter um fiapinho de esperança.
Acho que o seu Relatório Final tem pouquíssima chance de ser aprovado. Interesses contrariados forçarão, ao certo, apresentação de relatório paralelo, para que nenhum seja votado e aprovado, reprisando o fiasco da CPMI do Banestado. Ou o senhor será obrigado a pasteurizar seu relatório até que não sobre nele nenhum perigo. Entendo. O poder arbitrário não se chama “arbitrário” à toa. Cometerá qualquer arbitrariedade para conseguir seu intento, custe o que custar, passando por cima de quem for preciso, dando a volta por cima de quem ficar na frente.
Quase ninguém, entre os que contam, parece disposto a encarar a responsabilidade de chegar ao fio da meada. Quase todos têm medo, ou interesses, confessáveis e/ou inconfessáveis, ou as duas coisas misturadas aos dois qualificadores.
Quem diria?, quem poderia ao menos sonhar, que um aparentemente simples deputado do baixo clero governista, reles monge tibetano fleumático e invisível, fosse constituir-se, neste crucial momento de inflexão da história do país, no homem mais importante da República, único ainda digno de alguma esperança, uno entre os que poderiam fazer alguma coisa que ainda causa alguma expectativa de que venha a desafiar o imperador e não se curvará.
Parabéns, meu caro Serraglio. O senhor, com alguma certeza, cairá, como caíram todos, mas, mesmo assim, terá sido o último a cair na primavera triste de um país trágico. Ainda que apenas por isso, PARABÉNS!!!
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